Aprender sob ocupação militar: sobre mulheres e determinação

O acesso à educação de qualidade é um desafio em todos os países em desenvolvimento – é assim no Brasil, e aqui na Palestina não é diferente. Sob a ocupação militar, o maior obstáculo encontrado pelas crianças são os soldados que, diariamente, estão presentes em seu caminho para a escola. Muitas crianças enfrentam longas caminhadas perigosas ao longo das estradas, onde carros de colonos que moram em assentamentos ilegais aceleram, fingindo não ver os estudantes que estão tão vulneráveis a acidentes enquanto caminham. Mas o desafio de conseguir uma boa educação quando se trata de crianças com necessidades especiais é ainda maior.

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Ismael brinca de massinha. As crianças com deficiência são constantemente marginalizadas e privadas de seu direito à educação. Belém, EAPPI/Carolina B

Grande parte das crianças com deficiência não recebem a devida atenção e inclusão, sendo marginalizadas e impedidas de ter uma infância saudável. Em Belém, no campo de refugiados de ‘Aida, as mulheres têm um protagonismo importantíssimo em relação à isso: cansadas de esperar uma solução vinda da Autoridade Palestina ou da UNRWA (agência da ONU dedicada exclusivamente a atender os interesses de refugiados palestinos), um grupo de mães decidiu criar sua própria escola para crianças com deficiência.

Essas mães já sustentam um projeto de empoderamento feminino há seis anos, dando aulas de culinária tradicional palestina e abrigando estrangeiros em suas próprias casas. O grupo de empoderamento feminino Noor (que em árabe significa “luz”) foi idealizado por mulheres dos campos de ‘Aida e Al-Azza que têm filhos e filhas com necessidades especiais, juntamente com duas voluntárias estrangeiras. Atualmente, o projeto é mantido apenas pelas mulheres refugiadas, que surpreendem os turistas com pratos deliciosos, hospitalidade e histórias difíceis de serem digeridas.

Eu visitei a escola algumas vezes desde que cheguei aqui, e o aroma da cozinha invade a sala de aula, deixando uma atmosfera de risadas e fome.

Islam, uma das criadoras do projeto, tem seis filhos – e um deles, Mohamed, precisa de atenção e cuidado em tempo integral. “Muitas famílias têm vergonha de ter um filho deficiente, e o escondem dos outros. Eu e meus filhos sabemos que Mohamed é uma criança como qualquer outra, e meus filhos me ajudam a cuidar dele.” Islam narra como a ideia de inaugurar uma escola para as crianças dentro do campo de ‘Aida surgiu.

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Faixada da escola após a pintura. Belém, EAPPI/ Carolina B

Os centros para crianças com deficiência ficam muito longe do campo, são pagos e não fornecem transporte gratuito. As famílias precisam arcar com todos os custos, e nem sempre isso é possível. Além disso, os centros não têm capacidade para receber todas as crianças, alegando que não têm estrutura para cuidar de alguns casos mais graves. Há alguns meses, Islam decidiu, juntamente com outras mulheres, resolver o problema com seus próprios meios: ela cedeu um andar inteiro de sua casa para abrigar a escola recém-nascida. Porém, essa é uma medida temporária, pois o local não é acessível e adequado para ser uma escola que recebe cadeirantes. As ruas estreitas e esburacadas do campo não são muito diferentes das ruas do meu bairro em São Paulo, e as crianças precisam atravessá-las com cuidado, ou precisam de ajuda para cruzar o campo de cadeira de rodas.

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O campo de refugiados não é um lugar com acessibilidade adequada para pessoas com deficiência ou dificuldades de locomoção. EAPPI/ Carolina B

Eu fui convidada para participar de uma reunião entre as mulheres do Noor, juntamente com mães vindas de Hebron para ouvir as histórias das mães de ‘Aida e Al-Azza. Mais de 40 mulheres estavam reunidas, tomando café e compartilhando suas trajetórias e percepções de como é ter uma criança com deficiência sob a ocupação militar israelense.

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Reunião de mulheres de Hebron, ‘Aida e Al-Azza reuniu mais de 40 mães num emocionante encontro. Belém, EAPPI/ Carolina B

O protagonismo das mulheres transbordava nessa reunião, e eu senti algumas vezes um arrepio por estar presenciando algo tão especial. Sentir que nada irá impedir essas mulheres de realizar os sonhos que elas têm para a educação dos filhos, mesmo com todas as dificuldades de morar em um campo de refugiados, levou-me a refletir sobre a visão que muitas pessoas ainda têm das mulheres daqui. Independentemente da sua religião, já que são muçulmanas e cristãs, a inciativa delas para mudar a realidade atual está além das barreiras de nossos pré-conceitos em relação às mulheres palestinas.

Eu acompanhei uma manhã de aulas – a professora de árabe para crianças especiais, também chamada Islam, ensinava para seus alunos e alunas algumas palavras básicas, como papai, mamãe, irmão e irmã. Enquanto aprendiam, alguns deles desenhavam.

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Crianças desenham seus familiares entre muitas risadas e novas palavras. Belém, EAPPI/ Carolina B

Depois, com Saja, a fisioterapeuta, as crianças brincaram de massinha, modelando seus familiares com toda a criatividade do mundo.

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Após a aula de árabe, as crianças brincam de massinha, assitidas por Saja. Belém, EAPPI/Carolina B

Porém, ainda há outros desafios: além do salário das professoras, é preciso encontrar outro local para abrigar a escola, uma vez que a família de Islam cedeu a casa temporariamente. Além disso, o ideal seria encontrar um espaço com acessibilidade adequada, e não há verba para alugar um imóvel e reformá-lo. Os equipamentos para fisioterapia também ainda precisam ser comprados. O projeto agora está buscando financiamento estrangeiro para transformar essa inciativa numa escola que atenda todas as necessidades das crianças.

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No momento, a escola está funcionando na casa de Islam. As sessões de fisioterapia e as brincadeiras acontecem onde antes era a sala de estar, e as aulas de árabe são lecionadas em um dos antigos quartos. Belém, EAPPI/Carolina B

A iniciativa individual é necessária porque o direito das crianças especiais à educação não está sendo cumprido, mas a comunidade internacional não pode fechar os olhos frente a esse problema. Não fornecer educação adequada é uma violação grave aos direitos das crianças e pressionar as autoridades palestinas, assim como organizações internacionais, é essencial para mudar essa realidade.

Carolina B

EA do Grupo 62, Belém

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Mundial de Igrejas. Para publicar este texto ou trechos dele favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepibrasil@gmail.com). Obrigada(o).

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Documentos palestinos não são garantia de acesso às suas terras

Por volta das seis horas, o pastor Ibrahim aguarda pacientemente com seu rebanho do lado de fora da longa cerca de arame farpado em Akkaba, uma pequena vila na região de Tulkarm, no norte da Cisjordânia. Ao levar suas ovelhas para pastar do outro lado da cerca, ele deve atravessar um portão controlado por soldados israelenses, que irão checar sua identidade e o documento que lhe permite a travessia. Mesmo tendo uma autorização válida para a semana toda, Ibrahim pode acessar sua terra apenas nos dias e horários em que as autoridades israelenses abrem o portão agrícola.

Os portões agrícolas são parte da paisagem desta área e apenas um dentre os resultados da barreira de separação entre Israel e a Cisjordânia. Segundo estimativa da Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, ao terem seus 712 km finalizados, os muros e cercas colocarão cerca de 9,4% de território palestino no lado israelense da divisão. Por isso, os donos dessas terras precisam de autorização para acessá-las, sempre sob a vigilância de soldados ou policiais.

O esquema de segurança estabelecido transforma o acesso às propriedades e fonte de renda de muitos palestinos em algo complexo e restrito. Em Akkaba, por exemplo, o portão agrícola fica aberto entre 6h e 6h30, quando os soldados o fecham novamente. Durante à tarde, eles retornam para abri-la e permitir que os trabalhadores voltem para o lado palestino. Há relatos de horas de atrasos na abertura das portas, e não há nada que as pessoas possam fazer, a não ser esperar, como fez Ibrahim.

20-10-2016-_tulkarm-qalqiliya-shephard-goes-to-the-akkaba-gate-eappi_l-jensen– Tulkarm-Qalqiliya, Pastor caminha em direção ao portão de Akkaba. EAPPI/L. Jensen

A temporada da colheita das oliveiras começou e o movimento na porta agrícola é maior. Assim, ele aguardou que todos atravessassem primeiro para que pudesse passar com seu rebanho facilmente, sem tratores ou carroças no caminho dos animais. Eram 6h29 quando se dirigiu ao portão, em uma caminhada de cerca de 20 metros. Ao chegar, um dos soldados não permitiu sua entrada, dizendo que ele estava um minuto atrasado. Rindo, fechou o portão sem ouvir o que o pastor argumentava. Ibrahim retornou desolado – a posse de documentação não é garantia absoluta de acesso à terra do outro lado da barreira, já que a permissão pode depender do comportamento e humor do soldado que está no comando. Infelizmente, não é incomum que soldados apresentem razões variadas para negar o acesso de palestinos às suas terras.

20-10-2016-_tulkarm-qalqiliya-shephard-is-refused-at-the-akkaba-gate-eappi_l-jensenTulkarm-Qalqiliya, Pastor de ovelha tem sua entrada negada no portão Akkaba – EAPPI/L. Jensen

Alguns dos portões agrícolas também são ponto de passagem para palestinos que vão trabalhar em Israel. Por terem que iniciar a jornada de trabalho muito cedo, muitos chegam aos portões agrícolas horas antes de sua abertura para garantir que sejam os primeiros da fila. Em Sal’it, porta agrícola localizada muito próxima de um assentamento, várias pessoas chegam por volta das 3h da manhã e dormem em colchões no chão, ou dentro dos veículos, enquanto esperam. Cobertores e outros utensílios são deixados no local para que sejam utilizados no dia seguinte. Mais uma vez, seu retorno depende do horário em que o portão será aberto à tarde. “Vocês deveriam vir aqui todos os dias para ver o nosso sofrimento. No inverno eles demoram muito para abrir o portão, e às vezes ficamos 3 ou 4 horas esperando lá dentro”, disse um dos homens que aguardavam na fila.

26-09-2016-_tulkarm-qalqiliya-matress-at-salit-agricultural-gate-workser-sleep-there-whilst-waiting-danielle-af-2-Tulkarm-Qalqiliya, colchão próximo ao portão agrícola de Sal’it  (trabalhador dorme enquanto espera abertura dos portões). EAPPI/Danielle F

Em outro portão agrícola, Attil, dezenas de homens aguardam os soldados israelenses no escuro. Alguns à luz de uma fogueira, sentados no chão, conversam enquanto bebem café. Outros ainda dormem dentro de pequenos caminhões e a fila só aumenta com a chegada de tratores e carroças. Ao abrirem a porta, os soldados examinam um pequeno caminhão e autorizam sua passagem. Entretanto, o comandante decide que o material não é permitido e recusa a entrada. “Eles já haviam checado tudo e não havia problema. São horas de trabalho que eu perco, é dinheiro que eu vou perder. Isso me prejudica muito”, diz o dono do veículo.

Minutos depois, outro trabalhador é enviado de volta. Ao cruzar o portão, um dos soldados o cumprimenta com um aperto de mão, dizendo “salam” – paz. Ao ver a cena, um Palestino comenta “dessa vez eles recusaram a entrada dele, mas com apoio emocional”.

Danielle F

EA do Grupo 62, Tulkarm

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Mundial de Igrejas (WCC). Para publicar este texto ou trechos dele, favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepibrasil@gmail.com). Obrigada(o).

Jesus era palestino: uma reflexão sobre (a falta de lugar para) o Natal

A Terra Santa não recebe este nome por acaso. Tanto os territórios palestinos quanto os de Israel representam uma grande parcela do que teria sido palco de muitas histórias da Bíblia judaico-cristã e do Corão muçulmano. As convergências sobre assuntos religiosos são tantas quantas são as divergências, e a complexidade da situação na Palestina e Israel não para por aí.

Em tempos de natal, é interessante pensarmos um pouco sobre Jesus, pois todo dia 24 e 25 de dezembro se comemora o seu “natal”. Há controvérsias quanto ao lugar em que Jesus nasceu, pois, pelo menos três lugares diferentes são apontados como possíveis. O mais famoso é onde foi construída a Igreja da Natividade, em Belém, dentro da qual há uma estrela de prata colocada no exato local onde Jesus teria nascido.

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Entrada do Campo de Refugiado de Aida em Belém ©PAEPI/Renan Leme

Conforme a fé cristã, a jovem judia e virgem Maria, grávida de Jesus, ia montada num jumentinho e acompanhada por seu noivo José da Galileia para Belém, onde deveriam participar de recenseamento ordenado pelo governo daquela época. Jesus nasceu no meio do caminho, dentro de uma estrebaria pobre e foi colocado numa manjedoura para descansar porque não havia lugar nas hospedarias.

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Muro de Segregação em Belém ©PAEPI/Renan Leme

Dizem que, no trajeto para Belém, Maria também passou por Yanoun, pequena vila palestina onde morei durante a participação como EA. É por isso, dizem, que as azeitonas de lá são as melhores da região. Sem dúvida elas são! A bem da verdade, a presença de internacionais em Yanoun ainda é indispensável, pois inibe violências e provocações por parte dos colonos de assentamentos judaicos ao redor, ilegais até mesmo para Israel e outras transgressões aos acordos internacionais assinados por ambas as partes.

Há muitos judeus e israelenses que que sofrem com o conflito. De fato, a situação gera insegurança e dor para todos os que vivem. Mas, seguramente, quem se aproximar para vivenciar um pouco da realidade atual do povo da Palestina, sob ocupação israelense, reconhecerá que Israel é o maior violador de direitos humanos neste conflito e o povo palestino é a maior vítima nesse contexto. A vida na Cisjordânia e na Faixa de Gaza é de incerteza, falta de esperança e muitas dificuldades. A fronteiras e oportunidades em geral são restritas a poucos que conseguem têm a sorte de conquistar o direito de trabalhar, cultivar ou construir casas.

Jesus, que era filho de mãe judia e palestino, disse que se identificava com os oprimidos, desabrigados e excluídos. Ele se via neles: “Quando deram de comer a um destes pequeninos, a mim o fizeram. Quando acolheram um estrangeiro, a mim o fizeram”. Ainda bem pequeno, ele teve de deixar sua terra e viver como refugiado no Egito. O motivo era que o rei mandou matar os meninos de dois anos de idade para baixo: eles seriam um problema no futuro. Fato semelhante ainda ocorre com a prisão de crianças e adolescentes palestinos, tidos como perigosos e terroristas em potencial. Isso se confirma com a presença ostensiva de soldados israelenses nas proximidades de escolas, por exemplo, para que, desde cedo, as crianças árabes aprendam “quem manda” e não representem resistência no futuro. O rei que perseguiu os meninos era o judeu Herodes, numa época em que os judeus eram oprimidos na Palestina. O quadro atual é semelhante: os palestinos são oprimidos até mesmo pelos políticos que deveriam defender seus interesses e avançar nas negociações por paz e por direitos humanos.

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©PAEPI/Renan Leme

Herodes se sujeitava ao império romano, que mantinha a Palestina e outras terras ocupadas. Para os projetos imperialistas/colonialistas de hoje, a região da Terra Santa ainda atende muito bem ao propósito de inserir a cultura e dominação ocidental no Oriente Médio, além de fazer girar o mercado bélico com a continuidade do conflito. Lembro-me de alguns dias que passamos em Belém, e víamos da janela do hotel uma espécie de tanque de guerra do exército israelense que atirava muitas bombas de gás ao mesmo tempo contra um pouco mais de cem palestinos durante um protesto. A manifestação começou por causa dos problemas envolvendo o acesso à mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, somados à indignação pela morte de um garoto de treze anos que vivia num campo de refugiados. O menino foi alvejado por um tiro que veio da torre de vigia do muro que separa Belém de Jerusalém. Após o protesto, a rua estava forrada de cápsulas de balas e de bombas de gás e de efeito moral. Dos palestinos ficaram inúmeras pedras e bolinhas de gude, usadas como arma pelos palestinos.

Não só o natal, mas a vida na Cisjordânia é um desafio cada vez maior e muitos estão desistindo. Os que resistem o fazem pela persistência ou porque não têm para onde ir. A saída de muitos palestinos, inclusive membros das igrejas cristãs, tem sido a de procurar abrigo em outros países. O papai Noel não é generoso com as crianças de lá. Mas, mesmo assim, dar à luz tem sido uma forma de resistência das mulheres palestinas para garantir que seu povo não será extinto. A ocupação, porém, coloca em cheque o direito de muitas crianças acessarem um hospital ou clínica de maternidade. As crianças judias já crescem aprendendo a ter medo de quem não é judeu e a enxerga-los como inimigos, que podem se manifestar mais cedo ou mais tarde. O bom velhinho talvez seria encarado como mais um infiltrado antissemita.

Se Jesus estivesse entre nós hoje em dia, não seria contra a existência do estado moderno de Israel, como também não o somos, porque é o lar de muita gente que em outros momentos da história sofreu perseguição e preconceito. Mas, certamente não deixaria de criticar as injustiças que o Estado pratica em nome do judaísmo, como já acontecia na época de Jesus, e que, inclusive, o levaram à morte. Para o cristianismo, porém, Jesus ainda está vivo porque ressuscitou, e continua a inspirar seus seguidores a fazer o que ele fez e a consolar o coração dos que sofrem, porque ele mesmo foi um dos esquecidos, oprimidos, vitimados e saqueados de seus direitos mais básicos pela truculência dos poderosos e seus sistemas de injustiça e morte. O projeto de um estado para garantir o lugar de um povo não pode ser construído sobre o não-lugar de outro. De acordo com a Bíblia, mesmo os hebreus do antigo Israel habitavam com outros povos, compartilhando a terra.

O evangelho conta que pouco depois de sua ressurreição, Jesus estava caminhando ao lado de dois de seus discípulos que estavam voltando para casa porque duvidavam da história que ouviram sobre seu mestre e, por isso, não o reconheceram. Ao fim do trajeto eles convidaram Jesus para entrar, comer e repousar. Ele aceitou e, na hora do partir do pão, foi reconhecido e desapareceu. Aqueles discípulos exerceram hospitalidade e solidariedade com um ser humano em situação de fragilidade e, no final das contas, ele era Jesus. A dor deles gerou empatia pela dor de outra pessoa e por mais que tivessem sofrido, guardavam a lição de amar ao próximo como a eles mesmos. Por isso tiveram o privilégio de ver a esperança renascer!

O natal onde Jesus nasceu continua sendo difícil. O clima é inóspito, o conflito é de matar a esperança, a religião mal interpretada alimenta o ódio e os interesses políticos e econômicos ditam as regras do jogo. Mesmo assim, ainda há pessoas de Israel, da Palestina e do mundo todo que conseguem enxergar algo positivo no outro (mesmo que ele ou ela seja diferente) e convidar para repartir o pão, os sonhos de paz, o desejo de justiça, a esperança de um mundo melhor. Afinal de contas, época de natal, é tempo de lembrar que toda a humanidade é uma comunidade fraterna, que há espaço para toda gente e que as fronteiras só deveriam aparecer nos mapas para localização geográfica. Não precisam ser de separação!

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EA do Grupo 57 em Yanoun

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Latino Americano de Igrejas – Brasil ou do Conselho Mundial de Igrejas. Para publicar este texto ou trechos dele favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepi@claibrasil.org.br). Obrigado