Nabi Samwil

A comunidade de Nabi Samwil é uma pequena vila palestina que cresceu ao redor da tumba do Profeta Samuel. A tumba, uma mesquita e a vila dividiam o espaço do alto da montanha, nas cercanias de Jerusalém. Antes de 1967, cerca de 1.500 pessoas viviam na vila; até 2008, eram aproximadamente 3.000 moradores.

Com a criação do Estado de Israel, a região passou a ser cobiçada pelos judeus, para quem a figura do Profeta Samuel também é importante. Não demorou muito até que o exército israelense demolisse todas as casas ao redor da mesquita, que agora também é uma sinagoga.

A alegação do exército, segundo contam os moradores, foi de que as casas eram muito velhas e ofereciam riscos. No entanto, após a demolição, Israel não concedeu autorizações para que os palestinos pudessem construir, reformar, plantar ou criar animais na região. Ao contrário, deixou a área isolada, construiu um parque arqueológico, explorou turisticamente, usou parte do espaço da mesquita como sinagoga (inclusive a tumba do Profeta Samuel) e construiu um assentamento para israelenses no local.

Processed with VSCOcam with c4 preset

Nabi Samwil ©PAEPI/Mayara de Carvalho

Com a destruição da vila, parte considerável dos moradores migraram, a maioria deles para a Jordânia. Outra parte negou-se a abandonar o lar e construiu uma nova vila, sem permissão, no topo da mesma montanha, há poucos metros do local original, ao lado de onde hoje há o assentamento israelense.

A vida dos moradores é extremamente difícil. Eles vivem numa região de lama, em casas precárias, a maioria feita de estruturas metálicas, sem possibilidade de reforma-las e sem autorização para plantar, criar animais ou comercializar.

Além disso, com a construção dos muros em Jerusalém, a vila ficou sitiada. Os moradores não têm permissão de andar nas ruas do lado direito da montanha, que possuem livre e rápido acesso para o centro Jerusalém. Se são vistos andando do lado direito, os palestinos podem ser presos administrativamente, sem necessidade de processo judicial ou investigação criminal.

Ao andar do lado esquerdo da montanha, os moradores necessitam passar por checkpoints e não tem permissão para ir a Jerusalém. As pessoas da vila são numeradas e seu controle de identidade por Israel é feito através desses números. Caso queiram comprar algum bem ou comida, necessitam pedir autorização específica a Israel, informando a qualidade e quantidade do produto e provando que se trata de consumo pessoal. Essa permissão deve ser requisitada previamente e costuma demorar horas para se obter resposta.

Processed with VSCOcam with c8 preset

Nabi Samwil ©PAEPI/Mayara de Carvalho

A comunidade contou com doações de contêineres pela embaixada italiana e, neles, construiu uma escola para as crianças. Embora a escola tenha três diferentes séries, até 2014 todas as aulas dividiam o espaço de um só contêiner e aconteciam ao mesmo tempo. Com as novas doações, houve ampliação da escola e, hoje, as crianças tem salas diferentes.

A comunidade enfrenta alguns problemas de violência e intolerância por parte dos colonos israelenses que vivem na região, que algumas vezes chegam a atrapalhar as aulas ou invadir o espaço da escola. Atualmente, os contêineres da escola estão arrodeados por cercas com a finalidade de proteger as crianças.

Processed with VSCOcam with a9 preset

ProcessNabi Samwil ©PAEPI/Mayara de Carvalho

Apesar disso, nem todos os israelenses são hostis a essas famílias palestinas. Os moradores de Nabi Samwil costumam ter boa relação com os judeus ortodoxos que vivem em Jerusalém e que frequentam a vila para orar no espaço sagrado.

Com a guetificação e o apoio oferecido pelo Judiciário israelense à ocupação e destruição da vila, apenas 30 famílias resistem vivendo na região. Ainda assim, não sobrevivem apenas. Um bom exemplo disso foi a criação, pelas mulheres da comunidade, da Associação Feminista do Profeta Samuel, que oferece cursos, palestras, formações e espaços de convivência para as mulheres da vila.

Elas aprendem novas habilidades e criam oportunidades de arrecadar dinheiro para a vila. Dentre as iniciativas, as mulheres de Nabi Samwil fizeram formação em culinária e, desde então, oferecem jantares tipicamente palestinos para grupos de internacionais. Com isso, adquirem autonomia, valorizam a cultura e o desenvolvimento local e tentam contribuir para melhores perspectivas para o futuro da vila.

FullSizeRender-7

EAPPI Team ©PAEPI/Mayara de Carvalho

EA MAYARA.jpg

Mayara de Carvalho

EA do Grupo 59 em Jerusalém

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Latino Americano de Igrejas – Brasil ou do Conselho Mundial de Igrejas. Para publicar este texto ou trechos dele favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepi@claibrasil.org.br). Obrigado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s