Belém, pelo EA Vitor

Comecei meu período de voluntariado em Belém, pelo programa PAEPI (Programa de Acompanhamento Ecumênico na Palestina e Israel) no final de Setembro, uma semana após o início da escalada de violência que tem acontecido na Cisjordânia. No dia 22 do mesmo mês, um internacional havia testemunhado a morte de Hadeel Salah Al-Hashlamon durante um monitoramento de rotina. A jovem de 18 anos foi assassinada por soldados do exército israelense no Checkpoint 56, uma das entradas para a Cidade Velha de Hebron, apesar de não ter feito qualquer ação que pudesse ameaçar qualquer pessoa. Esse momento traumático para a comunidade local e para a Palestina como um todo, associado às incursões e restrições israelenses ao espaço da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, foi o ponto de partida do ciclo de violência que muitos já têm chamado de “Terceira Intifada”.

Apesar desse começo marcado pela morte e uma nova onda de ódio, nos primeiros dias era difícil imaginar que eu iria testemunhar (ou pelo menos sentir indiretamente os efeitos de) tanta violência. É claro que quando uma pessoa vem para a Palestina com certo preparo ela tem consciência que a ocupação militar do território, mantida e aprofundada por Israel desde 1967, tem gerado ondas de acirramento no conflito; mas, para além da escalada de violência que gera efeitos bastante visíveis na mídia, como os ataques dos dois lados e as execuções extrajudiciais de jovens palestinos, uma coisa que estamos (re)aprendendo aqui é que existem formas mais arraigadas e sutis de violência, e que a ocorrência delas é parte integral e indissociável da ocupação, independentemente do nível de tensão de cada época.

Tem sido parte da rotina lidar com o gás lacrimogêneo lançado com generosidade pelos soldados israelenses na Hebron Road, principal avenida de Belém, com o objetivo de reprimir os protestos que ocorrem no ponto onde a avenida encontra o Muro da Segregação. Em uma grande área da cidade, que serve de passagem para todos os tipos de pessoas que circulam por Belém, é corriqueiro ter que se esconder dentro da loja mais próxima para esperar o gás se dissipar o suficiente e a vida da rua voltar ao normal.

Mas isso é apenas uma das faces mais visíveis da ocupação na cidade, e a própria noção de normalidade é colocada em cheque durante os três meses de vivência na Palestina que o programa proporciona. Para muitos palestinos a normalidade não é simplesmente interrompida por agressões pontuais. Para eles tornou-se normal o elemento da violência no cotidiano, principalmente através do processo de militarização da vida. O diálogo com os contatos de cada vila e com as pessoas que visitamos nos dá a chance de tentar entender como as experiências geradas pela ocupação militar israelense moldam à força, o modo de viver dos palestinos.

No caminho para o trabalho, milhares de pessoas são obrigadas a esperar em longas filas apertadas por corredores e grades antes de passarem por “checkpoints” – postos de vigilância onde suas identidades e permissões de entrada são verificadas – onde muitas vezes são necessários mais de trinta minutos ou uma hora para chegar à saída dos terminais de controle.

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Trabalhadores palestinos se esforçam para encurtar o tempo de espera no Checkpoint 300 ©PAEPI/Vitor Joanni

A humilhação cotidiana dos checkpoints da Cisjordânia, que separam territórios palestinos de outros territórios palestinos, pode ser claramente observada no Checkpoint 300, encravado no Muro da Separação entre Belém e Jerusalém. Durante o começo do dia, a grande maioria dos palestinos presentes são homens a caminho dos seus trabalhos em Jerusalém. Muitos vêm das vilas ao redor de Belém, mas há também os que vêm de Hebron e passam por outro checkpoint antes de chegar ao CP 300, onde o time local do PAEPI observa. Eles precisam sair das suas casas no meio da noite para chegar ao trabalho no tempo determinado pelos seus patrões, e muitas vezes há o risco de que eles não consigam. Para as mulheres e crianças (e também para os turistas internacionais) há um corredor chamado de “via humanitária”, mas ele está fechado há mais de três meses. A “solução”, nas manhãs dos dias úteis, tem sido improvisar a passagem através da via que é feita para quem cruza no sentido contrário, de Jerusalém para Belém. Mas esse improviso tem sido problemático, executado por soldados e pelos seguranças da empresa privada que efetivamente opera o checkpoint, de modo arbitrário e muitas vezes agressivo contra quem precisa cruzar o muro para acessar o lado palestino de Jerusalém.

É bom lembrar que a violência que é feita durante o processo de operação de um checkpoint é ainda menor que a violência da sua fonte: um muro que desrespeita não só as leis internacionais, ao violar a fronteira previamente acordada entre palestinos e israelenses; mas também, por consequência, desrespeita a integridade do território pleiteado pelos palestinos (que é reconhecido pela maioria dos países do mundo), bem como o direito fundamental de acesso aos meios de subsistência ou de existência digna.

Entre suas casas e os checkpoints, os trabalhadores palestinos normalmente passam por alguns dos dezenove assentamentos ilegais israelenses que estão construídos nos topos dos montes que cercam Belém e as vilas ao redor da cidade. A expansão dos assentamentos é um processo violento que nega, cada vez mais, aos palestinos a esperança de que sua nação atinja uma solução pacífica que contemple a coexistência entre o consolidado Estado de Israel e um possível Estado da Palestina.

Na Palestina da “Terceira Intifada” as pessoas se sentem ainda menos seguras do que antes para manter a tradição mais consolidada da sociedade local – a colheita das azeitonas. Os produtores que possuem árvores próximas aos assentamentos ilegais não tem tranquilidade para colher com suas famílias e amigos, pois não são raros os assédios, e até mesmo os ataques, de colonos israelenses contra os palestinos que se aproximam. No meu breve tempo aqui, visitei um campo próximo à isolada vila de Al Jaba onde mais de cinquenta oliveiras haviam sido cortadas ou arrancadas do solo. Visitei Nahhalin, vila onde cerca de cem árvores foram queimadas por um incêndio causado por colonos israelenses do enorme (e crescente) assentamento chamado Beitar Illit. Próximo a essa mesma vila, presenciei o assédio de colonos contra uma família que seguia com a sua colheita sem se importar com os xingamentos e ameaças proferidas em hebreu pelos adolescentes israelenses. Em Tuqu’a colhi azeitonas com um grupo de homens que, apesar do grupo de soldados que estava próximo, conversavam, riam e cantavam enquanto faziam o trabalho.

A tensão de conviver com a violência latente da colonização das suas terras não impede os palestinos de serem um povo extremamente hospitaleiro, que é muito grato pela presença de quem os visita e colabora, seja para colher azeitonas ou para ajudar a contar a história deles. Debaixo das oliveiras me senti verdadeiramente parte dos grupos com quem estive colhendo, numa dinâmica em que a gratidão era mútua – eles, pela nossa “presença protetiva” e solidariedade; nós, pela hospitalidade, pela chance de aprender sobre a vida deles e pela comida maravilhosa que sempre é oferecida.

Quase dois meses após a morte de Hadeel Salah Al-Hashlamon eu conheci outra Hadeel, que tem 17 anos e vive com sua família em Belém durante alguns dias da semana e na zona rural de Beit Sakarya nos dias de folga. A casa que fica no campo é simples, a ponto de disfarçar a riqueza que eles possuem no entorno: um pedaço de terra fértil onde eles cultivam maçãs, uvas, variedades de verduras e, é claro, oliveiras. A paisagem idílica foi abruptamente marcada pela construção de um posto avançado do assentamento mais próximo, Efrat, a cerca de dez metros de onde ficam as oliveiras da família de Hadeel. Próximo à casa, há também o cruzamento de Gush Etzyon na Estrada 60, que leva a Hebron.

É comum que nesse cruzamento aconteçam ataques de colonos israelenses contra palestinos e vice-versa. Na véspera de quando fomos colher azeitonas com eles, um ataque matou três israelenses e deixou outros cinco feridos. Por causa disso, a família estava ainda mais apreensiva ao realizar a colheita das suas azeitonas. Mas o dia correu tranquilo, ensolarado, sem qualquer sinal de violência que nos alcançasse. As crianças se divertiam entre si e conosco, os estrangeiros de nomes e cabelos engraçados. Um dia verdadeiramente feliz de trabalho e confraternização entre eles e a equipe do PAEPI que esteve presente.

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Insha’Allah ©PAEPI/Vitor Joanni

Apesar de toda a desesperança que aflige a Palestina e nós que temos o privilégio da vivência entre os palestinos, apesar dos males da ocupação israelense e da falta de indícios de que o futuro pode ser melhor, dias como esse servem para alimentar o ânimo dos que acreditam numa Palestina livre. Albert Camus escreveu que “é preciso imaginar Sísifo feliz”. No difícil caminho para a paz, muitos palestinos, apesar de tudo, mantém a poderosa capacidade de serem felizes.

Vitor Joanni

EA do Grupo 58 em Belém

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Latino Americano de Igrejas – Brasil ou do Conselho Mundial de Igrejas. Para publicar este texto ou trechos dele favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepi@claibrasil.org.br). Obrigado.

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Jerusalém ocupada: relato de uma experiência em comunidades beduínas

Os desdobramentos da violência na maior parte da Cisjordânia ocupada e em Jerusalém nos anos recentes são uma resposta às sistemáticas opressões desencadeados nos últimos 68 anos de ocupação pelo Estado de Israel nos territórios palestinos. Desde a anexação ilegal por Israel em 1967 da Faixa de Gaza, Colinas de Golan e Jerusalém Oriental[1], vários acordos injustos e ambíguos têm sido firmados entre os dois países com a intermediação dos Estados Unidos.  Em grande medida, estes acordos são impostos pela posição estratégica do lobby sionista de Israel, na vã tentativa de alcançar uma paz justa e igualitária entre Israel e Palestina. Entretanto, mesmo esses acordos, que deveriam dar início ao processo de desocupação e descolonização, têm sido deliberadamente desrespeitados por Israel, que tem assumido compromissos de paz sem abrir mão dos territórios, causando frustrações e gerando um clima de combate permanente como o que estamos ver explodir na Cisjordânia e nas ruas de Jerusalém, através do que tem sido chamado de a “Intifada esfaqueadora”.

Em meu recente trabalho como Acompanhante Ecumênica e observadora internacional, visitei uma das maiores colônias judaicas, próxima à Jerusalém Oriental, batizada Ma’ale Adumim. A construção teve início em 1975, em terras privadas de palestinos. O gigantesco assentamento ilegal totaliza uma população de mais de 40 mil colonos. [2] A maior parte dessas terras compreende a área conhecida como E1[3], por onde Israel planeja expandir os assentamentos, ligando Ma’ale Adumim a Jerusalém, algo repudiado pelo direito internacional. Se o plano for implementado, a presença palestina será minada. Mais de sete mil refugiados palestinos que vivem em 46 comunidades beduínas nessas áreas serão realocados[4].

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Mapa do plano E1. (Disponível em . Acesso em 15 jan. 2016)

Jerusalém Oriental ficará isolada do resto da Cisjordânia, interrompida a contiguidade territorial entre as partes norte e sul do país, inviabilizando um Estado Palestino independente e afetando diretamente os direitos humanos da população palestina. O projeto de ampliação dos assentamentos encontrava-se paralisados desde 2009 devido às pressões internacionais, mas desde novembro de 2015,[5] o descongelamento das construções tem prosseguido em velocidade frenética, o que tem consequentemente aumentado o número de práticas coercitivas, como a destruição arbitrária de propriedades palestinas, inclusive as de financiamento por doadores internacionais.

O duro contraste entre a riqueza das colônias e a extrema pobreza das comunidades beduínas é uma prova concreta da política segregacionista de Israel, e serve para evidenciar que os Acordos de Oslo apenas legitimam a ocupação e fazem do processo de paz um grande investimento imobiliário, esquivando-se da responsabilidade moral e jurídica de reconhecer o direito de retorno dos refugiados para essas terras então colonizadas.

Neste cenário, pude presenciar a cruel diferença de realidades entre as duas populações: para os colonos judeus, um regime democrático de direitos humanos, vivendo sob a proteção militar israelense; para os palestinos, um regime racista de direitos sub-humanos, submetidos a uma legislação militar violenta e sem qualquer proteção jurídica, aquilo o que o filósofo Giorgio Agamben chama de vida nua, ou seja, uma existência meramente animal, desprovida de suas qualidades humanas, vulneráveis à barbárie que a ausência destas proporcionam.[6]

Assim, os colonos judeus têm liberdade de locomoção dentro da Cisjordânia e livre acesso a Jerusalém (cidade sagrada para as dois povos, judeu e muçulmano), ao passo que os palestinos sofrem severas restrições de movimento. Vão-se mais de catorze anos após o início da construção do muro de separação,[7] através do qual Israel anexou territórios palestinos por meio dos assentamentos, desrespeitando a fronteira do armistício de 1967[8]. Isso significa que para acessar qualquer cidade em Israel e Jerusalém, os palestinos precisam passar pelos postos de controle (checkpoints) para serem fiscalizados. Os beduínos, que são portadores do green ID’s[9], não têm acesso livre a Israel e, consequentemente, a Jerusalém anexada.

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Homens palestinos aguardam autorização para passagem no posto de controle de Qalandia. EAPPI/Michelle Julianne

Mas isso não é tudo. Os acordos de Oslo firmado entre Israel e a Organização para Libertação da Palestina, em 1933, dividiu a Cisjordânia em zonas distintas: A, B e C, sob diferentes jurisdições e níveis de controles entre elas.  A área A está sob total controle da Autoridade Palestina e consiste em áreas urbanas. Área B está sob controle civil palestino, e quanto à segurança, está compartilhada com Israel, constituindo, em grande parte, áreas rurais. A área C está sob total controle do poder militar e da Administração Civil Israelense. A ideia era que ao longo do tempo, os poderes e responsabilidades sobre estas áreas fossem aos poucos transferidos para a Autoridade Palestina. Como o acordo não foi respeitado, nenhum poder foi transferido, tampouco, uma solução permanente foi alcançada. Grande parte das comunidades beduínas em que prestei ajuda humanitária está localizada na Área C, que compõe mais de 60% do território palestino ocupado.[10] Isto significa que Israel tem total controle das terras, exigindo licenças para qualquer tipo de construção, o que de acordo com a UNOCHA, são arbitrariamente negadas em 98% dos casos, e menos de 1% dessas áreas são destinados para construções palestinas,[11] dando margens para que todas as construções – casas ou tendas – sejam erguidas “ilegalmente” de acordo com a lei israelense.

Durante as visitas que fiz com meu time à comunidade beduína Khan Al-Ahmar, reportei diversos abusos de direitos humanos e pude testemunhar as consequências das severas restrições impostas por Israel. Todas as 26 famílias que vivem nesta comunidade pertencem a tribo Al-Jahalin, que foram forçadamente realocados do deserto do Negev para a Cisjordânia em 1948. Em consequência da ocupação, Israel proibiu construções habitacionais e o comércio de pastoreio nessas áreas – restrições que não foram aplicadas aos colonatos judaicos – declarando-as como zona militar e áreas de reservas naturais, reduzindo consideravelmente as áreas habitáveis para os beduínos, uma cínica e ardilosa manobra para expandir os assentamentos.

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Demolição de tendas onde abrigavam várias famílias beduínas no deserto da Judeia. EAPPI/Michelle Julianne

Ainda em consequência dessas limitações impostas pela Administração Civil Israelense, todas as tendas da comunidade possuem ordens de demolição, inclusive a escola infantil, construído de pneus e lama por uma ONG italiana, Vento Di Terra, que atende estudantes de outras comunidade em volta. Numa entrevista com o líder da comunidade, Eid Jahalin, ele me conta que a Administração Civil Israelense tem ameaçado transferi-los forçadamente para uma periferia que tem servido de depósito de lixo advindo dos colonatos judaicos, o que tem preocupado a comunidade internacional. Abandonados à periferia da justiça, os beduínos já vivem em condições ambientais precárias devido à poluição do ar, do solo, e pela grave escassez de água, deixando grande parte da comunidade com graves doenças respiratórias, e 90% das mortes são causadas pelas más condições sanitárias. O senhor Jahalin me explica:

A maioria dos homens dessa comunidade trabalhava como operários para as indústrias nos assentamentos. Com a construção da escola, os colonos nos impuseram a condição de escolher entre o emprego e a escola. Nós preferimos mantê-la a ficar com o emprego. Estamos todos desempregados porque não temos visto para trabalhar em Jerusalém. Também nos proíbem de pastorar. Infelizmente, temos ordens de demolição da escola, o que é uma pena, já que sem ela todas as crianças das 5 comunidades próximas terão que andar 30 quilômetros a pé ou de jumento para estudar em outra comunidade mais distante, colocando em perigo as suas vida, pois as estradas não têm acostamentos, nem Israel disponibiliza transportes públicos para palestinos.

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Eu e o senhor Jahalin na comunidade Khan Al-Ahmar. EAPPI/Michelle Julianne

Infelizmente, as maiores afetadas são as crianças, cujo acesso à educação, nesse contexto, torna-se o maior desafio. A comunidade, bem como as salas de aulas, não possuem eletricidade, pois recentemente a Autoridade Civil confiscou os doze painéis solares doados por organizações humanitárias. Jahalin também me conta sobre outras violações cometidas pelo poder ocupante na comunidade, como o uso indiscriminado de armas letais, agressões físicas e psicológicas. As crianças também são vítimas. Elas não andam sozinhas por medo de sofrerem abusos e ameaças por meio de lançamentos de pedras pelos colonos fanáticos. Os beduínos também são vítimas de discriminações sociais, culturais, econômicas e ambientais. A presença dos militares e o estabelecimento desses colonatos têm criado um ambiente hostil e perigoso para as comunidades mais vulneráveis, como Khan Al-Ahmar. Desde então, Israel tem prosseguido impune com as violações dos direitos civis e humanos, aumentando sucessivamente a ocupação militar nos territórios palestinos pelo uso desproporcional e arbitrário da força, tornando a vida dos palestinos insustentável.

[1] O processo de anexação de facto foi formalizado em 1980, quando o Knesset (parlamento israelense) aprovou a “Lei Básica de Jerusalém” pela qual ratificou a “reunificação” da cidade, declarando-a como capital de Israel, algo não reconhecido pela ONU e em total desrespeito ao inicial Plano de Partilha da ONU (Ver Resolução n°181). Após a anexação, a ONU adotou a Resolução n° 242, exigindo que Israel restituísse os territórios conquistados pela guerra, sendo a única solução de alcançar a paz entre os dois Estados. A Palestina ficaria com os 22% para a formação de um Estado independente, menos da metade do loteamento do então Plano de Partilha.

[2] SETTLEMENTS – Disponível em: < http://www.btselem.org/settlements/statistics&gt;. Acesso em: 12 dez. 2015

[3] E1 ou “Leste 1” em português, trata-se de uma corredor de 12km que se encontra dentro do limite jurisdicional dos assentamentos israelenses e faz fronteira com Jerusalém Oriental.

[4] A transferência forçada e a destruição de propriedades privadas constituem graves violações ao artigo 53° da Quarta Convenção de Genebra. Todas as comunidades beduínas supracitadas que estão sob ameaça de transferência forçada pertencem a tribos que já foram transferidos ilegalmente do Negev, na guerra de 1948.

[5] Netanyahu Approves 454 New Housing Units Beyond Green Line. Disponível em: <http://www.haaretz.com/israel-news/.premium-1.686522&gt;. Acesso em: 18 nov. 2015

[6] Ver AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer: o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

[7] A Corte Internacional de Justiça emitiu, em 2004, uma Opinião Consultiva sobre o muro, declarando-o contrário ao Direito Internacional e apelando a Israel a destruição total, e que medidas sejam tomadas para pôr fim a situação ilegal.

[8] Ver BISHARA, Marwan. Palestina/Israel: a paz ou o apartheid. São Paulo: Paz e terra, 2003, p. 41.

[9] Após a anexação de facto em 1967, os palestinos foram divididos em dois grupos através da “Lei de Jerusalém”: os portadores do blue ID, que possuem residência para morar em Jerusalém e os portadores do green ID, que moram na Cisjordânia e não têm permissão para acessar Jerusalém.

[10] FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT AREA C OF THE WEST BANK. Disponível em: <http://www.nrc.no/arch/_img/9207732.pdf.> Acesso em: 05 Jan. 2016.

[11]  UN – AREA C OF THE WEST BANK: KEY HUMANITARIAN CONCERNS. Disponível em: < https://www.ochaopt.org/documents/ocha_opt_area_c_factsheet_january_2013_english.pdf&gt;. Acesso em: 03 Jan. 2016.

[12]   Entrevista concedida à autora em 06 ago. 2015.

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Michelle Julianne

EA do Grupo 57 em Jerusalém

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Obrigada/o.