Yanoun, pelo EA Wallace

Yanoun: um contraste entre paz e tensão

A primeira impressão que se tem ao visitar Yanoun é a de que é um perfeito lugar para se morar. Paisagem bonita e natural, vida simples, alimentos frescos, animais ao redor, vizinhos pacatos e simpáticos. Mas, ao parar para observar, se poderá entender que a vida em Yanoun não é nada fácil e a beleza parece sempre lutar para não sei deixar ofuscar pelo que acontece literalmente ao redor.

©PAEPI/Wallace Gois- EA's em Yanoun

©PAEPI/Wallace Gois- EA’s em Yanoun

Yanun é uma das menores vilas da Cisjordânia, com cerca de 80 habitantes e pertence à cidade de Aqraba, região de Nablus. Diz a tradição que a virgem Maria, ainda grávida de Jesus, passou por aqui enquanto seguia para Belém, onde daria luz. Desde então, as oliveiras floresceram. Isso talvez explique porque as azeitonas de Yanoun são as melhores da região. O povo de Yanoun também sobrevive da criação de ovelhas, galinhas e algumas abelhas. O queijo, o azeite e o mel da tímida vilinha são uma verdadeira preciosidade!

Esta vila é pequena, mas é bastante simbólica: representa, num microcosmo, a resistência do povo palestino diante da sempre ameaçadora e opressora presença e expansão dos assentamentos israelenses (ilegais, de acordo com o direito internacional) e de suas extensões (ilegais mesmo para o governo israelense) nos territórios palestinos.

Desde 1996 o povo de Yanoun tem sofrido com agressões físicas e psicológicas, perda de terras e ataques aos seus animais. Há cada vez menos espaço para cultivar a terra e para alimentar o gado. Cada vez menos esperança de um dia voltar a ser como era antes dos assentamentos chegarem.

Em 2002 os moradores da vila, sentindo-se ameaçados pelas frequentes provocações dos colonos ao redor deixaram Yanoun. Porém, alguns deles começaram a regressar no dia seguinte, com a intenção de encarar a situação e com a esperança de que um dia a situação vai mudar. Desde que agentes internacionais se comprometeram a não deixar o vilarejo, o nível de ameaças por parte dos colonos tem permanecido menor. O EAPPI tem sido responsável, ininterruptamente, por manter a presença internacional em Yanoun pelos últimos 12 anos.

A presença dos “settlements” (colônias) de judeus, que cada vez mais crescem nos territórios palestinos, tem sido um grande entrave no desenvolvimento da vila e mesmo na qualidade de vida. O acesso à educação, ao trabalho, ao culto e ao lazer se tornam quase impossíveis.

©PAEPI/Wallace Gois- Vista de Assentamento desde Yanoun

©PAEPI/Wallace Gois- Vista de Assentamento desde Yanoun

A política israelense determinou que a área onde Yanoun está localizada é majoritariamente denominada “C”, isso significa que Israel tem total controle militar e político sobre a região. O exército, que sempre rodeia e se estabelece na área, é responsável por garantir a segurança dos assentamentos judaicos, e teoricamente, de impedir que os colonos cometam violências contra os palestinos e que surjam extensões ilegais dos assentamentos.

Na prática, as forças armadas parecem ser coniventes com a expansão dos assentamentos, que raramente são barrados e mesmo quando “ilegais”, logo se tornam reconhecidos por Israel. Também atuam na intimidação dos palestinos e isso fica mais evidente quando os moradores locais batem à porta da casa dos EAs para nos mostrar a presença de jipes militares rondando a área. A pergunta que os vizinhos fazem é até que ponto os colonos não são os próprios soldados.

Enquanto isso, os habitantes da vila prosseguem sua vida simples com a esperança cansada, mas ainda viva, de que um dia haverá dignidade e justiça novamente. Para muita gente o argumento religioso para a continuidade da ocupação israelense e, consequentemente, do conflito é tão aceito por uns, quanto rechaçado por outros. Se por um lado se usa o nome de Deus ou Alá para legitimar a violência, a opressão e a injustiça, por outro ele tem sido inspiração para buscar a paz irmanada com a justiça.

©PAEPI/Wallace Gois- agricultores palestinos

©PAEPI/Wallace Gois- agricultores palestinos

Organizações como Conselho Mundial de Igrejas têm mantido programas como o EAPPI, que além de acompanhar a vida das pessoas que sofrem em meio ao conflito israelo-palestinense, também procuram semear a prática e os princípios de uma solução baseada na paz justa, e este é o verdadeiro sentido da palavra Salaam, no árabe, e Shalom, no hebraico.

 

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EA do Grupo 57 em Yanoun

 As opiniões aqui expressas são pessoais e não refletem necessariamente o entendimento do Conselho Latino Americano de Igrejas – Brasil ou do Conselho Mundial de Igrejas. Para publicar este texto ou trechos dele favor contatar a Coordenação Nacional do EAPPI – PAEPI (paepi@claibrasil.org.br). Obrigado

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